Lá vem eles...Lá vem eles pelas invasões, vilas, Bairros e avenidas. Pouco a pouco, Compõem a paisagem de nossas ruas. Chegam de mansinho, Sem pedir licença para ficar. Não que seja por falta de educação, Mas porque não têm outra opção. São meninos, são crianças,Evadidos das escolas, Invadidos pela pobreza, Adotam a rua como sua professora. Lá vem o menino flanelinha, Implorando aos senhores Um trocado Em troca de todo cuidado Que teve com os seus carros. Lá vem o menino viadutoSem lar, sem família, quase sem vida. Qualquer lugar para dormir Já é uma bênção. Lá vem a menina-mãe Ou será a mãe-menina? Não sei...A única certeza É de que ela é criança demais Para ser mãe. Lá vem o menino índio Miserável, sem futuro, discriminado, Atirado ao solo do calçadão, Esperando um pedaço de pão. Lá vem a menina vendedora, Com seus panos de prato,Tão baratos, Tão necessários à sua sobrevivência. Lá vem você, venho eu, vimos nós. Também andamos por estes caminhos, Também vivemos esta realidade. Lá vem eles, carentes de nosso auxílio, Pedindo nossa atenção. Então, que o nosso amor Seja o remédio que cura as feridas, O calmante que alivia as dores, Para que os nossos filhos Não sejam como estes meninos no amanhã.


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